.18 de maio de 2018

A Tulipa Negra - Alexandre Dumas, pai.


Há uns bons quatro ou cinco anos atrás, tentei ler um dos livros mais famosos de Alexandre Dumas, pai: O Conde de Monte Cristo e parei antes mesmo de chegar a metade da história por ser enfadonha demais para o meu gosto. Descrição em demasia não é o meu forte, gente. O tempo passou e decidi dar uma nova chance ao autor, agora, com um livro menor e menos conhecido, dessa vez, uma escolha feliz.
A Tulipa Negra é um romance romântico publicado em 1850 e tem um pano de fundo histórico ao mesmo tempo cruel e interessante. A narrativa começa em 20 de agosto de 1672 quando os irmãos de Witt, grandes políticos holandeses, são brutalmente assassinados pelo povo por causa de falsas acusações de traição arquitetadas, no livro, pelo próprio príncipe Guilherme de Orange. O assassinato dos irmãos e a conspiração de fato ocorreram e estão nos livros de História, mas não há registros da participação direta do príncipe nisso.
O mais instigante, nesse primeiro momento, é a forma como Dumas nos faz crer serem os De Witt nossos protagonistas, e ao depararmo-nos com suas mortes, ficamos completamente sem rumo, arrebatados e com um questionamento quanto ao título: Por que A Tulipa Negra?
Descobrimos a resposta para essa pergunta ao sermos apresentados ao afilhado de uma das vítimas, Cornélio Van Baerle, um jovem tulipista, esse sim, nosso protagonista, a quem foi confiada uma correspondência dos De Witt que poderia trazer-lhe grandes complicações e até uma sentença de morte. Preocupado com o cultivo inédito de uma tulipa negra, Cornélio não estava a par dos rumos políticos de seu país e acaba sendo preso com as cartas, completamente inocente de tudo e sem desconfiar que seu vizinho e rival, o também tulipista, Isaac Boxtel foi o responsável por sua prisão ao denunciá-lo às autoridades como cúmplice do padrinho. Na prisão, nosso herói conhece a jovem e bela Rosa, filha do carcereiro. A moça apaixona-se por ele e promete ajudá-lo a ter seu objetivo alcançado.


Ao longo de toda a narrativa veremos Boxtel tentando roubar o trabalho dos protagonistas, sendo ele sempre muito mal e descrito como um homem feio, enquanto os outros dois são muito belos e corretos, características já esperadas de um romance romântico.
Vale ressaltar, a semelhança entre A tulipa Negra e O Conde de Monte Cristo: ambas mostram como a inveja de uma pessoa inescrupulosa pode ser o agente causador de muitas adversidades para uma pessoa pura e honesta, porém, nesse livro, o autor é muito mais objetivo e conciso. Obrigada mesmo por isso, senhor Dumas!
O único ponto que me incomodou na história foram as constantes ameaças que nosso protagonista fazia contra o carcereiro pai de sua amada, na frente da moça! Eu entendo que o velho era detestável, mas, ainda assim, era o pai de Rosa e vê-la fazendo e dizendo "vários nadas" enquanto Cornélio o ameaçava de morte, foi bem chocante para mim.
Sinceramente, quando iniciei essa leitura estava bem apreensiva e pensando que a abandonaria na metade, contudo tive uma grata surpresa ao gostar muito da história e devorar cada página e me divertir muito com ela.
Recomendo A Tulipa Negra aos fãs de romances cheios de aventura, vividos em épocas longínquas com a velha luta entre o Bem e o Mal, com toda a certeza você vai adorar a escrita de Dumas. Eu gostei tanto que estou considerando ler outras obras do autor. Então é isso, gente. Já leram esse livro ou algum outro do autor? Gostaram de sua premissa? Me digam nos comentários.  =)


.15 de maio de 2018

Respondendo a Tag: "Livros Desconhecidos"

Eu disse que tinha várias tags legais para responder!! =D 

A desse mês eu encontrei no canal da Bel Rodrigues e não sei quem criou, pois a Bel não citou e essa parece ser uma tag meio antiga, mas, gostei e vou responder! Lembrando, antes de tudo, que se a respondesse na semana que vem, com certeza, indicaria outros títulos, logo, quero saber quais são as indicações de vocês nos comentários! 

1 - Um de seus livros favoritos que deveria ser mais conhecido. 


Eu simplesmente adoro A Queda de Atlântida!! Essa duologia vai contar a origem de toda a história de As Brumas de Avalon,  narra como o ciclo de reencarnações e karmas começou e ainda idealiza Atlântida do ponto de vista da autora, é claro. 

2 - Um livro desconhecido que você transformaria em filme. 


Nunca vi divulgações de A Cor do Leite e as duas resenhas que li, não foram escritas nos blogs que sigo, ou seja, no meu círculo, ele é desconhecido e sua história é tão maravilhosa que merece ser lida por muito mais pessoas!! 

3 - Um autor ou autora que você acredita que deveria ser mais conhecido em função do grande talento e originalidade. 


Essa é a autora que me iniciou nos new adults!! Adoro a Trilogia As Lendas de Yelena Zaltana e fico muito triste por não conhecer ninguém que tenha lido essa história magnífica e super bem escrita além de mim! Sério, procurem pelos e-books (acho que os físicos não têm mais...)

4 - Um livro que você leu, se surpreendeu, mas por ser pouco conhecido, você não tinha ninguém para falar sobre ele. 


Li A Desumanização há pouco tempo e fiquei bem chocada com a falta de humanidade da história e toda a sua crueza e falta de sentimentos, acho que o adjetivo é visceral nesse caso.

5 - O seu personagem favorito de um livro pouco conhecido. 


E vocês acharam que eu não ia falar da série dos Irmãos Reckless?? Pois é, uma personagem que eu adoro, mas está em um livro pouco falado é a Fux/Celeste, a metamorfa e caçadora de tesouros mais fofa e determinada de todas!! Adoro essa raposa

6 - Uma série que deveria ser mais conhecida do que já é. 



Com certeza, a Trilogia As Lendas de Yelena Zaltana! Poxa, gente, até hoje a editora que comprou os direitos de publicá-la aqui no Brasil não fez a versão física do último volume! =/

7 - Se você pudesse transformar um personagem coadjuvante pouco conhecido em um protagonista inesquecível, quem seria? 



Vocês vão achar estranho... Até eu achei... Talvez seja influência das últimas leituras, mas adoraria ler um livro protagonizado pela filha da Madame Bovary, a Bertha, gostaria de saber se ela sobreviveu, como foi sua juventude e vida adulta, enfim, tenho essa curiosidade e seria legal vê-la sobressair-se. 

Então é isso, gente, espero pelas respostas de vocês nos comentários!! =)

.12 de maio de 2018

A Cor do Leite - Nell Leyshon

Mais uma vez, li um livro às escuras sem saber absolutamente nada sobre e estou estarrecida, chocada e muito triste com essa história.


Em A Cor do Leite, conhecemos Mary, uma adolescente da primeira metade do século XIX, que viveu quatorze anos de sua vida na fazenda de seus pais sendo alvo constante de brutalidade e descaço. Ela é a caçula e, dada a cor de seu cabelo "branco como o leite" e uma deficiência na perna, acredito que ela seja albina, mas isso não é falado e não tem muita relevância no enredo. 
Infelizmente, para seu pai. Mary e suas três irmãs nasceram mulheres e ele, para compensar essa "falta de sorte", as faz trabalhar como escravas e desconta suas frustrações agredindo-as. Mary jamais fica calada diante disso e tem sempre uma resposta na ponta da língua o que a faz perspicaz aos olhos do leitor e sofrer ainda mais. 
Um dia, sem nenhuma explicação, seu pai a envia para a casa do pastor da aldeia a fim de trabalhar como empregada doméstica. Mary vai mesmo não aceitando a situação, pois não tem escolha mesmo... Lá, ela conhece os patrões e cuida da dona da casa que tem uma saúde bem frágil. É perceptível a revolta de Mary, a forma quase animalesca na qual ela cresceu, sendo regida pelos instintos, com uma objetividade voraz e ingênua até; Conceitos como Deus e Amor lhe são incompreensíveis, ela não gosta do pai, contudo não o recrimina por tratá-la mal. 
A Cor do Leite é dividido pelas estações que passaram entre os anos de 1830 e 1831. A narração é bem diferente de todas que li até hoje, porque não há sintaxe! Sinceramente, nas primeiras três páginas estranhei bastante e quase larguei a leitura; Decidi ler algumas resenhas e elas me deixaram bem intrigada com o enredo e voltei à história e não larguei até acabar. 
Ao longo da leitura, compreendi o quão realista a obra ficou, pois é narrada em primeira pessoa por uma moça recém alfabetizada, que viveu em uma fazenda toda a sua vida, ao lado de pessoas também analfabetas, no começo do século XIX, ou seja, ela não poderia conhecer sintaxe da mesma forma que desconhece regras sociais. 
Além disso, percebi também que a autora tentou ser o mais realista possível quanto a situação das empregadas domésticas nesse período histórico. Mary, raramente pode visitar sua família, não recebe seu salário (ele é todo dado nas mãos do pai), seus patrões sabem que ela não gosta de lá, mas não se importam e a forçam a ficar usando de chantagens mesquinhas, nojentas e ultrajantes! Em diversos momentos, lembrei-me de Tess of the D'Urbervilles porque ambas as moças sofrem muitas desventuras e são tão jovens e podiam ter destinos bem diferentes... 
Recomendo muito A Cor do Leite, entretanto ele tem alguns vários momentos que podem ser gatilhos para muitos, principalmente, para nós mulheres... Logo, se você não está em um bom momento, deixe essa leitura para depois, caso decida conhecê-la, prepare seu coração, pois é um livro intenso com uma história muito sofrida. 

.9 de maio de 2018

[ANIMA] - Nodame Cantabile


Pois é, parece que voltei mesmo a assistir anime... Na verdade. não sei exatamente porque tinha parado, ou porque não tinha o costume de resenhá-los... Bem, só posso dizer ter interesse por Nodame Cantabile há anos por causa de sua história recheada de música e é como sempre digo: "Antes tarde do que nunca!" =)
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Antes de mais nada é preciso salientar ser este um anime Josei, algo semelhante a um new adult, ou seja, os protagonistas estão na universidade, saindo de casa, provando de fato a vida adulta e suas dificuldades...
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Nodame Cantabile traz a história de Chiaki Shinichi um jovem e brilhante estudante de música, sonha em tornar-se maestro, porém tem um grande trauma de viajar de avião ou navio, impedindo-o de deixar o Japão algo que atrapalha muito o progresso de sua carreira. 
Por causa de um desentendimento com seu professor, Chiaki muda de classe e conhece a talentosíssima e também brilhante Noda Megume, ou Nodame, como gosta de ser chamada, uma moça bem destrambelhada e histérica, que não é lá muito madura, depende muito do nosso protagonista, chegando a só se alimentar com as refeições que ele faz e até querendo deixar de tocar piano após sofrer uma rejeição dele... 
Acompanhamos durante os 23 episódios a evolução dos dois, a criação de uma orquestra estudantil e o florescimento de uma amizade entre Nodame e Chiaki. A forma como eles se ajudam mutuamente é muito legal apesar de um pouco estranha às vezes... 
Algo maravilhoso que faz parte integral aqui é a música! Nossa! Esse anime está recheado de música clássica, as personagens estão sempre reproduzindo peças de Debussy, Schubert, Mozart, Beethoven entre outros, é um deleite para os ouvidos. 
O único ponto destoante para mim está ligado as relações pessoais sejam elas amorosas ou de amizade, é desconfortável ver como as personagens interagem de forma abusiva e dependente umas com as outras... Quando era adolescente não percebia isso, hoje em dia vejo e não gosto nem um pouco. 
Infelizmente, esse tipo de relacionamento é comum em vários animes e doramas. Se você relevar isso ou tiver em mente que é um traço cultural, e gostar de música clássica, com certeza, vai adorar Nodame Cantabile


.6 de maio de 2018

A Obscena Senhora D - Hilda Hilst


    Ouvi falar sobre Hilda Hilst, pela primeira, em um vídeo no canal TLT sobre esse livro especificamente e fiquei bem curiosa a respeito dessa autora de escrita tão visceral e completamente desconhecida para mim até os meus 20 anos. Demorou um pouco até ter contado com ela e é sobre uma de suas obras em prosa mais famosas que vamos conversar hoje. 
   Publicado em 1982, A Obscena Senhora D narra de forma não linear alguns momentos na vida da protagonista Hillé, apelidada pelo marido Ehud após perguntar-lhe diversas vezes o significado da palavra derrelição. Após a morte deste, ela, que já estava reclusa há anos e desenvolvera um comportamento bem excêntrico, fica cada vez pior deixando os vizinhos curiosos e fuxiqueiros com muito assunto ao apontar sua "loucura", mas tal como em O Alienista... Será ela louca, ou suas atitudes e questionamentos fora do padrão mostram uma verdadeira lucidez diante de toda a alienação e futilidade da vida comum?  
Personagem Delirium da hq Sandman que assemelha-se a
Hillé não pela aparência, mas por todos os questionamentos.
    Utilizando a técnica de fluxo de consciência e uma diversidade enorme de vozes intercaladas no texto sem qualquer tipo de pontuação, essa é uma obra que exige atenção por parte do leitor, pois cada linha traz uma surpresa diferente e a cada diálogo percebemos o quão diferentes e transcendentais são as dúvidas da protagonista e acabamos por compartilhar de sua desolação por nunca encontrar uma resposta e ter perdido a única pessoa a entendê-la, ou ao menos a tentar... 
  Em diversos momentos, vi muitas semelhanças entre os pensamentos da senhora D e da personagem Delirium de Neil Gaiman. Dá até para imaginar as falas de Hillé em balões coloridos com fontes bem diferentes. 
   Mais uma vez, saio de uma leitura mind blowing cheia de reflexões e sem certeza de nada! Estou adorando isso, porque me impele a pesquisar mais e sair da zona de conforto literária; Uma dessas reflexões/incertezas foi a possível crítica que a autora faz contra a falta de instrução das mulheres, não sei mesmo se ela colocou isso em seu texto, ou se eu inferi por causa desse momento no qual me encontro, mas é perceptível o incômodo de vermos a senhora D indo sempre ao marido para tirar-lhe as dúvidas e ao confrontar outras mulheres, perceber que elas não tem nada a dizer... Tendo em vista a data do livro e a idade de Hillé (sessenta anos), acho que essa teoria fica ainda mais verossímil, pois no começo do século XX as mulheres mostraram-se mais e mais questionadoras e ao mesmo tempo isso era totalmente repreendido pela sociedade e muitas continuaram na obscuridade. 
    Como vocês podem perceber, essa obra não narra uma história e geralmente não gosto muito de narrativas assim... Por exemplo, não gostei nada dos livros de Virgínia Woolf, porém, Hilda Hilst é frenética! Você não consegue parar de lê-la, mesmo que não esteja entendendo muita coisa hahaha sério, pretendo conhecer outras obras dela e recomendo a quem não tiver preguiça de sair da zona de conforto e queira ter reflexões desafiadoras sobre a vida, o universo e mais.  

.3 de maio de 2018

[DIVULGAÇÃO] - Parceria com o autor Daniel Rottas


Olá, pessoal!! Em 2016 fiz várias parcerias legais (e outras nem tanto...) com autores e editoras, por causa das experiências desagradáveis decidi não fazer o mesmo no ano passado e pretendia manter-me assim, mas no dia 30/04 recebi uma proposta de parceria com o autor Daniel Rottas e gostei muito mesmo da sinopse de seu livro, logo, decidi dar uma chance e espero gostar da leitura! Deixo abaixo a biografia do autor e a sinopse do livro À Beira da Insanidade.



Sinopse: Quanto você pagaria para saber o que se passa dentro da mente de outra pessoa? Com o avanço da tecnologia, podemos construir qualquer coisa. Já imaginou tornar um mero sonho em realidade? Uma máquina criada para ajudar a humanidade, pode acabar trazendo a tona uma loucura jamais vista antes. Durante uma investigação, o departamento de polícia do 8° distrito da cidade de Tóquio esbarrou em uma pista que muda completamente o andamento do caso e no meio dessa trama duas pessoas são envolvidas de forma perigosa.
Yumi que é a filha do detetive chefe e possui cicatrizes tanto em sua mente como no seu passado e Akira que é um jovem estranho e enigmático possuidor de diversos transtornos, feridas e guerras internas, frio e caloroso, gentil e perigoso, tão divergente como o próprio ying e yang. Yumi e Akira terão que lidar com o seu passado perturbador que virá a tona e os colocarão sobre uma nova perspectiva. Será que suas máscaras finalmente caíram ou eles serão tragados pela insanidade que os cerca?



Sobre o autor: Daniel Rottas nasceu no Rio de Janeiro em 04/11/1993 e teve uma infância comum. Apesar disso, resolveu começar a trabalhar cedo pelo simples motivo de querer ter seu próprio dinheiro, teve sete empregos e durante os horários de serviço sempre acabava pensando nas mais diversas histórias e em mundos que só existiam na sua cabeça. Começou a escrever para esvaziar a mente e extravasar suas frustrações, passava a maior parte do intervalo açoitando seu caderno com a caneta. Diversas vezes quase desistiu, mas encontrou pessoas que o ajudaram no caminho. Hoje segue sua vida da mesma forma que escreve, uma linha de cada vez rumo ao fim de uma trama e em busca de novos capítulos.

Onde Encontrar?

O livro já está disponível no site da editora Chiado, clique aqui para comprar. Se quiser adquiri-lo direto com o autor é só enviar uma mensagem na fanpage.


.30 de abril de 2018

Apenas uma Garota - Meredith Russo


Apenas Uma Garota foi um livro bem marcante para mim, pois trata de um tema que ainda não havia experimentado em romances. Estou falando de uma história LGBT, daquelas que causam fofinhos no coração a cada novo capítulo. Para começar, a primeira coisa a chamar minha atenção para este livro foi uma entrevista da autora Meredith Russo, mulher trans de 31 anos, aventureira de primeira viagem pelos caminhos da literatura young adult, publicando em 2016 seu primeiro romance. Ao construir Apenas Uma Garota, a autora pretendia fugir do estereótipo da personagem trans passando por maus bocados e tendo um fim trágico. Posso dizer com propriedade que tal objetivo foi alcançado com sucesso.
As páginas deste livro trazem a história da adolescente Amanda Hardy, uma garota trans que passou recentemente pela transição e agora busca se reinserir na sociedade, começando uma vida nova. A narrativa inicia com a chegada de Amanda à cidade de Lambertville, em New Jersey, local onde irá morar com seu pai. A garota volta a frequentar o colégio, tendo de enfrentar toda a fobia social, cicatriz da antiga vida de bullying e preconceito que levava na época anterior ao tratamento hormonal e à cirurgia de mudança de sexo. Muitas barreiras são derrubadas a cada capítulo, desde o medo do contato com outros adolescentes até a descoberta do amor (sim, como todo livro young adult, aqui também existe aquela coisa de a protagonista se apaixonar por alguém e passar por situações difíceis devido a isso). 
Apenas Uma Garota apresenta a história pela ótica de Amanda, ou seja, uma narrativa em primeira pessoa, algo bastante recorrente na literatura atual. Particularmente, gosto dessa característica neste livro, pois nos dá a possibilidade de entrar no mundo da protagonista, experimentar o que ela sente, viver o que ela vive.
Devido ao bullying e a todo o preconceito que sofria na antiga escola e dentro da própria família, Amanda Hardy é uma garota tímida, retraída, que jamais encara as pessoas nos olhos. Como um ouriço cujos espinhos afastam as pessoas, o primeiro impulso de Amanda é evitar contato com os outros, todavia agora, após a transição, Amanda luta para superar essa dificuldade e passar a viver como uma menina normal. As novas amizades com Layla, Anna e Chloe ajudarão muito nessas questões, levando-a a frequentar festas, participar de eventos sociais, descobrir o amor.
Outro ponto interessante de acompanhar é o relacionamento que Amanda tem com o pai. No início da narrativa, fica claro o desconforto dele ao constatar que seu filho de outrora se tornou uma garota completa. Contudo, ao passo em que a narrativa evolui, a conturbada relação entre eles muda, tornando-se fonte de muitas de nossas lágrimas (aqui me refiro àqueles fofinhos no coração). De fato, os capítulos que mostram a interação entre pai e filha são partes que valem toda a leitura.
Como é padrão em minhas pseudo-resenhas, tenho que dedicar um pedacinho para comentar sobre a escrita de Meredith Russo. O texto é leve e fluído. Duvido que você encontre palavras de significado desconhecido, assim como ocorre na leitura de livros clássicos.
Considerando que estou fazendo a análise da tradução realizada por Joana Faro, devo apontar aqui um detalhe que me incomodou conforme seguia com a leitura. Uma vez que a narrativa acontece em primeira pessoa (e sendo a protagonista uma adolescente), encontramos muitos termos coloquiais na escrita. Muitos períodos iniciam com pronomes oblíquos, e apesar de eu compreender o motivo de se optar por este recurso, ainda assim, foi bastante difícil criar o costume de ler esse tipo de coloquialidade.
Sobre a capa e a impressão, tenho apenas que parabenizar a Editora Intrínseca pelo excelente trabalho, afinal é uma brochura muito bem-feita, em papel pólen soft, aquele amarelinho bom de ler (meus olhos agradecem).
 Apenas Uma Garota é um young adult acima da média, pois além de nos dar uma história gostosa de ler, ainda nos causa diversas reflexões sobre sexualidade, identidade de gênero e assuntos correlatos, transportando-nos para uma realidade singular que, apesar de fictícia, é comum a muitas pessoas que passam diariamente pelos mesmos preconceitos, pelas mesmas dificuldades e conflitos.
Compreender tais dificuldades é, sem dúvida, essencial para a evolução como pessoa. É aprender a se colocar no lugar do outro, entender suas necessidades e principais anseios. E é por isso que considero Apenas Uma Garota um livro necessário, importantíssimo para a quebra de diversos preconceitos que estão impregnados na sociedade atual.

                                                                                                          Por Samuel de Andrade
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